sábado

Apesar de você - Chico Buarque







Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão

(Coro) Apesar de você
amanhã há de ser outro dia
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de "desinventar"
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

(Coro2) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria

Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença

E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa
Apesar de você

(Coro3) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia

Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você

(Coro4) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá??


quinta-feira

Código Florestal

Para os constantes adiamentos da votação do novo código florestal eu só encontro uma explicação plausível:
os digníssimos deputados estão no mato sem cachorro! Au, au!!

O que eu penso

O caráter é como um curso d'água, que ao longo do tempo vai esculpindo, vai lapidando a rocha, alisando-a e dando a ela belas formas, dignas de admiração. Ou, então, torna a rocha pontiaguda, perigosa, cortante, dígna de despreso.
Só o caráter de uma pessoa é capaz de esculpir a própria imagem, dando a ela formas corretas, dígnas de admiração ou, então, de denegrir a si mesma, desfocando-a, desvirtuando-a.
O comportamento, as atitudes, as práticas é que determinam quão denegrida é uma pessoa.
Se alguém se sente denegrido pelo que dizem os outros, é pessoa fraca de caráter, é pessoa dada a práticas escusas, comportamentos incriminadores, é pessoa com culpa, dígna de despreso. Entendeu, bonecão?

quarta-feira

Hobbit x Orc

De vez em quando eu me deparo aqui, ali, acolá com uma dessas listas de “os melhores”; os melhores discos, melhores cantores, melhores músicas, melhores filmes, etc.

Particularmente, acho tudo isso uma bobagem, por exemplo: segundo a crítica o álbum Hot Space, do Queen, é o pior da carreira da banda, todavia, foi um dos que mais vendeu.

Em relação a filmes, cada um que fosse fazer uma lista, escolheria filmes distintos um do outro, podendo haver, claro, algumas concordâncias. Eu poderia citar aqui uma porrada de filmes, mas minha lista, sem dúvida alguma, seria encabeçada pela trilogia Lord of the Ring (O senhor dos anéis). Minha escolha não leva em conta os mesmos aspectos discutidos pelos experts em cinema. Minha escolha leva em conta algo mais simples. Em minha opinião “O senhor dos anéis” é a essência do “faz de conta” , aquele mesmo “faz de conta” que na nossa infância nos causava medo, emoção, alívio, riso, felicidade e uma infinidade de outras sensações. Quem, na infância, não criou seus heróis, monstros, seres mágicos, lugares assombrados, lutas épicas, etc? O senhor dos anéis é tudo isso e no fim, da mesma forma que em nossa imaginação, o bem sempre vence, o mundo se salva do mal, a paz é preservada, apesar dos medos e ameaças.

Mas eu vejo, na trilogia, um outro significado, ela mostra situações em que o ser humano é exposto às tentações do poder; ela mostra a corrupção materializada em seres (Orcs) monstruosos como ela mesma; ela mostra os fracos sucumbindo aos corruptores; ela mostra que, apesar da grande maioria de seres corrompidos, estes são derrotados. É a arte imitando como é a realidade. É a arte mostrando que apesar de pequenos (em quantidade, mas muito maiores em qualidade) os hobbits Frodo, Pipin, Sam e Merry encontraram, em sua saga, a grandeza de caráter de Aragorn e Légolas; a sabedoria de Gandalf; a bravura da bela Arwen; o companheirismo de Gimli. Juntos, apesar da inferioridade numérica, derrotaram as forças do mal comandadas por Saruman, este a serviço de Sauron.

O poder obtido por meios escusos e exercido com tirania e arrogância torna-se objeto amaldiçoado e seus frutos apodrecem com tamanha intensidade, que misericórdia alguma é capaz de, novamente, torná-los dignos do convívio com o bem, assim como o desejado anel, que no filme teve o fogo como fim.

A arte imita a vida, dizem. E pode-se dizer, também, que a vida imita a arte. Na trilogia “O Senhor dos anéis”, o anel representa o poder, o autoritarismo, a tirania, a arrogência, o mal. Se J.R.R. Tolkien, autor do livro que deu origem aos filmes, andasse por estas paragens da Terra Média, poderia achar que estão imitando seus personagens mais grotescos.

E mais uma vez um pequeno hobbit vencerá os Orcs. Entendeu, Bonecão?

segunda-feira

É proibido proibir

Pelo final da década de 1960, os festivais de música eram um sucesso. Muitos compositores, hoje consagradíssimos, tiveram nos palcos dos festivais a vitrine que os revelaria. Chico Buarque, Caetanos Veloso, Gilberto Gil, Edu Lobo, Geraldo Vandré, Os Mutantes são alguns nomes. Em um destes festivais, o Internacional da Canção, realizado no Maracananzinho, Caetano Veloso levou a música “É proibido proibir”. O Brasil estava, então, às voltas com um dos períodos mais repressivos da ditadura militar e os festivais funcionavam como uma espécie da porta voz da resistência contra o regime militar.

O lema “é proibido proibir” que, para os jovens franceses era um princípio de rebeldia nos protestos contra o conservadorismo e a favor da liberdade, espalhou-se pelo mundo e motivou os jovens no Brasil. Composta por Caetano Veloso, É proibido proibir ficará como um marco de coragem, apesar de todo o ritual de proibições. A frase ganhou mais força na letra do cantor baiano. Caetano foi coerente, não se dobrando às imposições da direção do Festival Internacional da Canção, para que apresentasse a sua canção sem uivos. Caetano chegou a ser vaiado, não conseguiu levar a música até o fim. Então trocou os versos pelo discurso: “Mas é isso que é a juventude que quer tomar o poder? Nós tivemos coragem de entrar em todas as estruturas e sair de todas. E vocês? Se vocês forem como são em estética, estamos feitos. E, quanto ao júri, é muito simpático, mas é incompetente”.

E eu digo não
E eu digo não ao não
Eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir…

Este é um dos versos da canção defendida por Caetano naquela oportunidade.

O desenrolar dos eventos daquela noite culminaram com o exílio de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Eles foram convidados pelas autoridades a se ausentarem do país.

O estado democrático foi reconquistado e hoje, segundo dizem, vivemos a plenitude democrática, pero no mucho. Quero, com esse post, mandar um recado a quem interessar possa, fazendo das palavras de Caetano, minhas, também:

E eu digo não
E eu digo não ao não
Eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir…

Mais lixo

Uma semana depois que eu publiquei fotografias mostrando o lixão em que estão transformando a Represa do Clube do Povo, retornei ao local pra ver o que havia acontecido, se alguma medida havia sido tomada. A coisa continua do mesmo jeito, aliás, piorou, a quantidade de lixo aumentou. Vejam as fotografias.

Aquela velha estória: se eu fosse presidente..., se eu fosse governador..., se eu fosse isso..., e aquilo... se eu fosse prefeito.

Se eu fosse prefeito eu criaria uma equipe de funcionários, exclusivamente pra administrar e tomar conta de espaços como a represa do clube do povo. Essa equipe iria cuidar da limpeza de toda a área, iria agir para coibir os abusos, pra evitar a depredação, pra preservar tudo que ali existe, flora, fauna, equipamentos, etc. Mandaria instalar câmeras por toda a área, construiria meias quadras para a prática do basquete para disputas em duplas (espaço tem de sobra), faria um sistema de drenagem mais decente para as quadras de areia; distribuiria lixeiras por toda a extensão do complexo e, certamente, com as câmeras em operação, os vândalos pensariam duas vezes antes de depredar o que é de todos, e os sem educação pensariam duas vezes antes de jogar lixo fora das lixeiras. O complexo esportivo do clube do povo deve e pode ser muito mais estruturado, mais completo e com uma vigilância desempenhada, também, por funcionários devidamente treinados. A pesca deveria ser proibida, e somente em determinadas épocas, seria aberta ao público. Mas, o mais importante é impedir, a qualquer custo, que se jogue lixo, pois, de lixo, eu, pelo menos, já estou com o saco cheio.












quinta-feira

Assim tá melhor

E não é que trocaram os out doors?

Gente, a turma trabalhou depressa hein!?!?

De positivo pode-se apreender que: 1º eu tinha razão, as placas anteriores eram horrorosas; 2º uma das atitudes mais nobres do ser humano é reconhecer o erro, tirar proveito da lição e fazer o que é certo. E esse tipo de atitude deveria ser uma prática rotineira em qualquer setor da vida, principalmente em se tratando de questões que envolvem o erário, o dinheiro público. E isso vale em qualquer esfera do poder público. O corrupto deve ser trocado por gente de bem; o aproveitador deve ser trocado por quem é comprometido com a causa; o puxa saco deve ser trocado pelo competente. Em suma, usando aqui um palavreado dos tempos de quem frequentava a matinê de domingo no cine Real: o bandido deve ser trocado pelo mocinho.

terça-feira

Gosto todos têm. Bom gosto, nem todos...


E o dia das Mães está se aproximando. As homenagens são muitas, o comércio se esbalda com as vendas durante esta que é a 2ª data em volume de vendas no comércio. Alguns Out doors, patrocinados pela prefeitura, foram espalhados pela cidade. As fotografias acima mostram dois deles colocados nas imediações do clube do povo. Agora, fala sério, mas eu ainda não consegui decifrar o que, exatamente significa ou representa aquele desenho negro no canto superior direito da placa. Que me perdoe o autor, mas bom gosto cabe em qualquer lugar, principalmente em uma homenagem à tão significativa personagem. Que a prefeitura ou outro órgão público qualquer faça sua homenagem, nada mais justo. Agora, venhamos e convenhamos, gastar dinheiro público com uma coisa horrorosa dessas, aí não dá. E olhe que quem fez essa arte deve ter recebido um bom dinheiro pelo trabalho. Se alguém conseguir decifrar o que significa aquele dezenho negro... Meu palpite é que tá parecendo o Batman depois da ressaca.

O lixo nosso de cada dia

A represa do Clube do Povo é, sem sombra de dúvida um dos mais belos locais de nossa cidade. Por tudo que ela oferece, é, também, um local dos mais frequentados. Ali pratica-se esporte, sociabiliza-se nos estabelecimentos dedicados à gastronomia de lazer, faz-se caminhadas e contempla-se a bela paisagem, promove-se eventos de toda natureza. Eu gosto de fotografar o local, não que eu seja um profissional do ramo, mas, com um pouco de sensibilidade e um equipamento com um mínimo de qualidade, é possível obter belas poses.








Todavia, nem tudo é beleza. As margens do lago do Clube do Povo vêm sendo transformadas em um verdadeiro lixão, fruto da falta de educação de pessoas que não merecem frequentar e usufruir do patrimônio público. Vejam as imagens a seguir (dia 30 de abrtil de 2011):



As pessoas que acompanham o PORCONAUTA podem até torcer o nariz quando eu digo que somos uma republicazinha de bananas podres. Mas, se eu digo isso, é por pura convicção, e as imagens acima só servem pra confirmar o que venho repetindo: povinho! Os reflexos disso é que nos transformamos em um grande circo e ao invés de platéia, somos os palhaços no pior sentido com que a palavra puder ser utilizada.
Quando xingo o Sarney, o Lula, a Dilma, o Luis Fux e toda a gangue de larápios e canalhas, muita gente pode achar tudo uma falta de respeito, afinal, são autoridades. Para o inferno com essas autoridades. Autoridades somos nós, que pagamos os salários dessa corja. Nós somos os patrões e, portanto, temos, sim, o direito de reclamar, de protestar e até de expulsá-los dos cargos que ocupam. Sim, nós temos esse direito e esse poder, mas falta-no a coragem, justamente porque somos um povo sem civilidade, sem educação, sem cultura e que não dá a mínima para a cidadania. Vejam as imagens acima e tirem suas conclusões. A questão é que quanto mais demorarem para assumir o papel que cada um tem, mais corruptos estarão agindo, mais lixões aparecerão sob nossos narizes, mais palhaços tomarão o lugar de cidadãos civilizados.